Blog de investigação do aluno Nuno Escudeiro, com finalidade de partilhar informação sobre a sua dissertação de mestrado, um documentário sobre os contrastes culturais entre Portugal e a Finlândia.

23
Set 11

Em dois cantos extremos, opõe-se dois países, periféricos do mesmo continente Europa.

Na “Jangada de Pedra”, Saramago enunciou a viagem da Península Ibérica pelo Oceano Atlântico fora, até ao destino em que culturalmente sempre devia ter estado, um ponto entre a América do Sul e a América central.

A noção de identidade influi a questão, se Portugal se dista da cultura europeia e se se pretende lançar mar fora até outros continentes, não o quererá também a Finlândia, junto da sua Península fazer? Será que se sentem como pertencentes à mesma cultura que a Alemanha e a França? Ou, levantando uma questão que poderemos, eventualmente, responder, será que sentem como pertencendo à mesma cultura que Portugal? E Portugal, como vê a Finlândia?

Finlândia e Portugal, antípodas culturais do pé de terra a que chamamos Eurásia, marginais perante a imponente Europa central. Este projecto procura explorar as duas culturas e a eventual segregação do restante continente.

Os contrastes encontram-se nos mais simples níveis, no domínio religioso do protestantismo e, em menos peso, católico ortodoxo finlandês, com o domínio apostólico português; nos dias e noites infinitas com os dias e noites finitos; nos espaços amplos e funcionais com os espaços apertados e estéticos, no kitsch com o anti-kitsch, na tradição e folclore, em Jolly Braga Santos, Lopes Graça e Sibellius, de Manoel de Oliveira a Aki Karusimaki (ainda teria de ver os filmes, é só conceito), nas raízes linguísticas, nas diferentes abordagens da interacção social, da sexualidade, no papel económico que desempenham perante a União Europeia.

Ouvimos recorrente a metáfora de que “os extremos se tocam”, tocando-se, assim, os gélidos desertos lapões com os abafados desertos alentejanos, a concepção de identidade como uma oposição ao domínio e influência estrangeira, a forte concepção de social-democracia sobre a qual ambos os países habitam.

Este trabalho propõe-se a explorar estas jangadas de pedra, as suas viagens, os materiais sobre a qual são construídas, as estruturas, as formas, as texturas de cada elemento, o ego dos Homens que as navegam, os destinos e, mais importante, as viagens, para que mares navegam estas periferias, como se tocam, como se distam, que contrastes, que lugares comuns?


Setembro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
24

25
26
27
28
29
30


subscrever feeds
arquivos
2011

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO